Aruá é nome de origem. Carrega a raiz da terra e o gesto de quem pertence ao lugar. A arquitetura escuta o terreno antes de se desenhar, e encontra na matéria brasileira a sua linguagem.
O terreno em Curitiba é generoso — cerca de 1.600 a 1.800 m², com amplas dimensões, vistas privilegiadas para os fundos e condições ideais de insolação na mesma orientação. A leitura desse contexto orientou a diretriz central do projeto: valorizar ao máximo a relação entre a casa, a luz natural e a paisagem. A encomenda dos clientes pediu uma residência térrea, com metragem controlada próxima de 420 m² — em vez de expandir verticalmente, o projeto explora a horizontalidade do terreno, organizando o programa de forma eficiente e integrada.
O partido estrutura-se a partir de um pátio central — elemento organizador de toda a residência. Todos os ambientes principais voltam-se para esse espaço interno, garantindo vistas qualificadas e relação direta com a área externa e a melhor orientação solar do lote. O pátio funciona simultaneamente como núcleo de convivência e regulador ambiental, promovendo conforto térmico e iluminação natural abundante. Formalmente, a casa aproxima-se de uma configuração em "V": dois braços que abraçam o pátio e estruturam a distribuição dos espaços, mantendo conexão visual contínua com o jardim, a piscina e a área de lazer.
A fachada voltada para a rua é tratada de forma reservada, com linguagem limpa e controlada — privacidade no cotidiano. Em contraponto, a casa abre-se completamente para o interior do lote, criando atmosfera voltada ao relaxamento, à convivência e à vida familiar. Os espaços de uso mais específico, como a adega e o ateliê, são posicionados no subsolo — liberando o pavimento principal para vivência mais fluida e integrada. A materialidade e a linguagem formal dialogam com referências do modernismo brasileiro: linhas puras, proporções equilibradas, estética essencial.
Nos 420 m² distribuídos em térreo e subsolo funcional, Casa Aruá constrói-se como refúgio voltado para dentro — onde arquitetura, paisagem e modo de viver se alinham. Uma casa que se fecha para a rua e se abre para a vida, traduzindo em forma construída uma ideia essencialmente brasileira de habitar.